É tempo de recalcular a rota, de reinventar-se! | Aline Agatti

Negócios

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Manter o olhar atento à inovação é essencial para que os gestores possam estimular a competitividade, seja na busca de melhorias nas ações de rotina ou na adaptação de um processo produtivo. E neste período em que a economia mundial é afetada pelas consequências do coronavírus, a necessidade de reinventar-se chega como uma alternativa de sobrevivência. 

Tão importante quanto buscar novas habilidades para adaptar-se à realidade do mercado, é ter consciência de que crises são cíclicas. Cada uma com suas características, desafios e sem tempo determinado. Mas temos uma certeza: esta crise também vai passar. Por isso, a proposta é compartilhar histórias de pessoas que, em períodos incertos, com insatisfação pessoal ou profissional, conseguiram visualizar caminhos alternativos e puderam “recalcular a sua rota”.



“Conheci pessoas incríveis e vi um mundo que até então eu desconhecia.”

Esta é a fala de Michele Zanella Cordeiro, contando sobre o aprendizado que a busca por novos desafios está produzindo em sua vida. Atualmente, é sócia da voudevinho (@voudevinhooficial), apresentada por ela como “uma empresa que tem como propósito espalhar felicidade e cultura, por acaso, falando de vinhos.”

Em 2010, após concluir o curso técnico em enologia e aproveitando seu talento com os números, decidiu iniciar a graduação em Ciências Contábeis. Formou-se e atuou por 9 anos na área. Porém, mesmo exercendo a profissão escolhida, algo não estava bem. “Estava numa posição bacana, havia mudado minha relação de trabalho e também as tarefas que eu executava, mas ainda havia algo dentro de mim que parecia vazio, algo que não fazia sentido.” Na busca de algo que pudesse preencher este vazio, Michele iniciou um MBA em Gestão, Excelência e Prosperidade. “Foi quando a mente realmente se expandiu. Pude conhecer uma nova forma de educação, ver que a sala de aula não precisa ser no formato tradicional”. Ao final do curso, compartilhou um pouco da sua trajetória e ouviu dos colegas que ela parecia ter mais afinidade com a enologia do que com a contabilidade. Isso a fez refletir bastante e a ajudou a romper algumas crenças. “A sociedade impõe certos costumes, os próprios familiares e amigos questionam: é isso mesmo que você vai fazer? Vai perder todos esses anos de estudo e experiência? Começar de novo?”. 

Mesmo com algumas dúvidas, mas com a certeza de que um novo caminho estava sendo traçado, ela seguiu determinada a realizar seus objetivos. “Depois que conheci a Deisi, minha sócia, e falamos sobre nossas ideias, tudo se conectou. Traçamos planos ousados, que já estamos realizando. E vejam bem, nos conhecemos há menos de um ano e sentimos como se nos conhecêssemos a vida toda. Conexão é algo divino, que você sente”. Como incentivo para as pessoas que estão frustradas com sua condição atual, Michele recomenda: “nossa geração foi criada com a crença de que mudar 'fica feio', de que você vai 'perder' o que estudou ou que está 'velho demais'. Não tem nada de errado em traçar novos caminhos e se precisar voltar, volte. Um passo para trás pode significar dois para frente. Esteja em movimento, aumente seu repertório e seja flexível. Oportunidade é a gente que cria e a sua atitude é que fará a diferença!”



                

“Manter a mente positiva certamente é fundamental.”

Rejane Godoy “seguia o roteiro da vida perfeita e sugerida pela sociedade”, como ela mesma define. Formou-se em Direito, obteve a aprovação na OAB, mas não exerceu a profissão, já que optou por fazer concurso público de oficial de justiça. Casada, com dois filhos e vivendo no estado do Amapá. Em 2014, quando o marido foi empossado também em cargo público, aqui no RS, ela solicitou remoção de um ano para acompanhá-lo. Foi quando o contexto começou a mudar, o ano passou e ela solicitou exoneração do cargo. Como justificativa, explica que “exercer aquela atividade causava desconforto e angústia. Tinha um desejo muito forte de trabalhar com algo que despertasse mais felicidade, onde pudesse compartilhar alegria e não tristeza”. Questionada sobre qual o principal desafio, conta que foi descobrir o que fazer. “Entre as habilidades pessoais a decoração de festas parecia ser a mais viável, exigia baixo investimento, havia uma experiência não profissional. Fazer uma ideia se tornar um negócio foi um grande desafio, ainda mais longe de casa, em uma cidade desconhecida”. Mas com muita cautela e com o auxílio de uma sócia, Rejane foi conquistando clientes e desenvolvendo as estratégias para o seu novo negócio. Porém, algo inesperado aconteceu. “Logo após a empresa estar em funcionamento, surgiu outro grande desafio pessoal, que culminou na minha separação, um casamento de 10 anos. Mesmo em meio a instabilidade emocional, optei por seguir com a empresa e enfrentar os desafios diários com disposição e coragem”. Após um ano de empresa, as sócias decidiram abrir um espaço para eventos, para agregar valor ao serviço prestado. Na sequência, a decisão em comum acordo, de dar fim à sociedade, no qual Rejane seguiu como única proprietária. Em meio a tantos acontecimentos, manteve seu pensamento otimista. “Alimentar a mente com mensagens positivas, com histórias de sucesso certamente faz muita diferença, onde há foco é onde há crescimento”, afirma.

Em paralelo, desde 2018, envolveu-se em outro projeto. “Me tornei Consultora Mary Kay, o que despertou em mim um objetivo de vida muito maior, me identifiquei com a empresa criada há 50 anos, com o propósito de enriquecer a vida das mulheres. Percebi que esse trabalho me traz uma realização muito maior que as decorações”. Dessa forma, sem conseguir conciliar as duas atividades, entendeu que uma nova mudança estava se apresentando. Certa do que estava fazendo, decidiu vender o espaço de eventos e parte dos itens de decoração, simplificando a estrutura da Doce Encanto, que hoje oferece serviços de decoração personalizada e assessoria em eventos. Dedicando assim mais tempo ao projeto principal, que está relacionado ao universo de possibilidades da multinacional Mary Kay. Para concluir, Rejane reforça: “em momentos de grandes desafios, se permitir mudanças radicais, se abrir à novas possibilidades e manter a mente focada certamente é fundamental. Praticar meditação, oração, ter fé e pensamento positivo. Juntos, eles têm um poder imenso”.


Temos poucas garantias quanto ao futuro e isso não acontece só em períodos de pandemia. O que sabemos é que crises são oportunidades de avaliar o que está sendo feito, de reinventar-se. Buscar novos canais de relacionamento, melhorar o atendimento ao cliente e qualificar a equipe, são premissas que precisam estar presentes no dia a dia de todo o empresário. Só assim será capaz de inovar, de aprimorar seus serviços e de ver o seu negócio crescer.