CIC-BG trabalha na coleta de dados para viabilizar retorno à bandeira laranja

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Equipe está preparando relatório que contabiliza dados da covid-19 na Serra

 

Inconformado com o posicionamento do Governo do Estado em manter a Serra na bandeira vermelha no Distanciamento Controlado, que entre outras restrições, proíbe a abertura do comércio considerado não essencial e limita o funcionamento da indústria, o CIC-BG (Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves) segue articulando forças com o poder público e demais associações e entidades regionais para reverter a situação.

Diante da negativa de reversão da decisão confirmada terça-feira (16), a instituição acatou a decisão do Executivo gaúcho, demonstrando seu tradicional respeito às instâncias institucionais. Porém, reforçou a mobilização para convencer o governador Eduardo Leite de que a Serra tem condições de permanecer na bandeira laranja. Engajada em uma força-tarefa regional, a entidade vem colaborando com o trabalho empenhado por diversas lideranças que estão envolvidas na captação de informações atualizadas para inclusão de indicadores em um banco de dados estadual, utilizado pelo Governo do Estado em suas análises classificatórias acerca do modelo de distanciamento controlado. “Estamos coletando dados e reforçando ações ao longo dos últimos dias com a expectativa de termos, pelos pré-requisitos determinados pelo governo estadual, condições de entrarmos na bandeira laranja, por merecimento, já na semana que vem”, prevê o presidente do CIC-BG, Rogério Capoani.

Pelo CIC-BG, quem tem participado da missão é a vice-presidente para Assuntos do Comércio, Marijane Paese. Formada em Matemática e Física e com mestrado em Estatística, ela vem monitorando há dois meses os números da doença no município. Segundo seu estudo, o surgimento de novos casos tem se apresentado linear desde o dia 19 de maio, o que permite uma interpretação de cenário estável na cidade – por três semanas consecutivas, o número de curados foi maior do que o número de novos casos. Ela vem analisando 11 indicadores, os mesmos adotados pelo Governo do Estado para determinar as bandeiras do Distanciamento Controlado. “A partir dos resultados, serão definidas estratégias e ações que permitam buscarmos a bandeira amarela para a região”, diz Marijane. Entre elas, reforça Marijane, é preciso que todos os cidadãos tenham responsabilidade no retorno responsável às atividades, respeitando as orientações dos órgãos de saúde.

 

Para entender o caso

A troca de bandeira laranja para vermelha, no último sábado (13), pegou de surpresa lideranças políticas e empresariais da Serra gaúcha. O anúncio gerou indignação porque restringiu uma série de atividades econômicas, como redução da massa laboral em indústrias (50%), e a suspensão do comércio de rua e em centros comerciais – só o comércio essencial é autorizado a funcionar. 

Ainda na segunda (15), por videoconferência, prefeitos tentaram demover o governador Eduardo Leite da decisão, apresentando dados positivos no enfrentamento a covid-19 na região e se comprometendo a abrir mais 26 leitos na Serra. A resposta negativa do governo, na terça-feira, frustrou novamente empresários e prefeitos, mas não tirou o ímpeto de seguir buscando a reversão do quadro. “Vamos traçar todos os caminhos possíveis para reverter isso”, assegura Capoani.

A partir da conversa do governador com os prefeitos das regiões incluídas na bandeira vermelha no último sábado, o Piratini anunciou mudanças na divulgação das bandeiras. O governo vai antecipar a coleta de dados dos 11 indicadores para quinta-feira e rodar os cálculos do modelo na sexta. Dessa forma, os municípios terão um prazo até as 8h de segunda-feira para, caso haja necessidade, contrapor os dados. A análise do recurso será feita na mesma manhã e, à tarde, o governo se pronunciará sobre o anúncio definitivo do mapa, que entra em vigência na terça e segue até a próxima segunda-feira.