Antinutrientes | por Fernanda Godoy Farto

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Não é porque um alimento é natural que é saudável, duvida? 

Então você é uma das pessoas que desconhece os antinutrientes e esse texto é pra você!


Eles estão mais presentes na dieta padrão do que você pode imaginar, alguns exemplos de alimentos que possuem antinutrientes são o trigo e derivados, cevada, feijão, brócolis, amendoim, arroz integral, entre outros. Muitas vezes, os antinutrientes presentes nestes alimentos podem ser os causadores de alguns problemas comuns do dia a dia, como dores de cabeça e desconfortos abdominais. Evolutivamente é possível entender que seres vivos não querem ser digeridos por outros seres vivos. Pois, na maioria das vezes, isso leva ao fim daquele indivíduo, e em grande escala, pode levar ao fim da propagação de uma espécie. Para evitar serem consumidos, é normal que os seres desenvolvam mecanismos de defesa, como por exemplo, correr, lutar, voar, desenvolver venenos, etc. Porém, plantas são seres passivos, e de modo geral, não conseguem desenvolver a maioria das habilidades de defesa que os animais têm. Sendo assim, precisam criar seus próprios mecanismos para se defenderem e se manterem vivas, de modo a conseguirem continuar propagando a sua espécie. Com a necessidade de criar mecanismos de defesa para garantir a propagação da espécie, ao longo da evolução, a maioria das sementes, dos grãos e de outros vegetais que sobreviveram, foram os que melhor conseguiram desenvolver antinutrientes. 

Antinutrientes são compostos que ao serem consumidos, tendem a prejudicar o predador de algum jeito. Teoricamente para “mostrar” que não é uma boa voltar a escolher tal opção como alimento. Sendo assim, podemos dizer que antinutrientes surgiram como um mecanismo de defesa dos vegetais que se prejudicaram ao serem devorados.

Como você pôde perceber, os antinutrientes estão presentes em muitos alimentos de origem vegetal. Por isso, é normal que cada espécie tenha desenvolvido seus antinutrientes de uma maneira diferente.

Deste modo, aqui abordarei antinutrientes mais comuns no dia a dia das pessoas, a começar pelo famigerado glúten. 


Oxalatos

O ácido oxálico, também conhecido por oxalato, está presente em muitos alimentos, como por exemplo: verduras e vegetais folhosos, como rabanete, couve-flor, brócolis, acelga, espinafre, salsa, beterraba e pimenta preta (pimenta-do-reino) e feijões.  De toda forma, os oxalatos são mais absorvidos por pessoas com disfunções no intestino e problemas com sua permeabilidade, sendo apenas de 10% a 15% da quantidade de oxalatos absorvidos por pessoas saudáveis. Por isso, celíacos (que ainda comem glúten), pessoas com Doença de Crohn ou síndrome do intestino irritável, são os que mais devem ficar atentos a presença deles. Quando o oxalato é absorvido, a grande maioria dele é excretada pela urina, e em grandes quantidades, isso pode levar a formação de cálculos renais. Além disso, pessoas que absorvem muito oxalato, ou são sensíveis a eles, podem ter outros problemas, como por exemplo, dores abdominais, fraqueza muscular, náuseas e diarreia.

Glúten 

Ele é dos antinutrientes que mais prejudicam a saúde humana, e você não precisa ser celíaco para ter problemas com ele. Como o próprio diretor do Centro De Pesquisas De Doença Celíaca diz, “Nenhum ser humano possui as enzimas necessárias para quebrar o glúten.” O glúten é uma proteína encontrada no trigo, no centeio e na cevada. Em pessoas não celíacas, que “podem” comer glúten diariamente sem ter nenhum problema direto, um dos malefícios é causado pela parte do glúten formada pela gliadina. Em primeiro lugar, o fato do nosso corpo ter muita dificuldade em quebrar a gliadina leva o sistema imunológico a atacar tais partículas, o que também causa danos ao tecido saudável, causando inflamação no intestino. Tal fato caracteriza uma reação autoimune, onde o sistema imunológico ataca o próprio organismo. Afetando a permeabilidade intestinal, e facilitando que o corpo absorva substâncias que não deveriam ser absorvidas. De quebra, grãos que contém glúten se quebram em compostos chamados gluteomorfinas, que acionam os mesmos receptores cerebrais que drogas opiáceas, como a heroína ou seja, são altamente viciantes.

Lectinas

Existe uma grande variedade de lectinas, e elas são encontradas em diversos grupos de vegetais.
Porém, estão presentes em maior quantidade em alimentos como trigo (de novo ele), feijão, ervilha e quinoa. As lectinas agem novamente no intestino, causando “buracos” na parede intestinal, criando permeabilidade e facilitando que substâncias indevidas sejam absorvidas e levadas a circulação sanguínea. Além disso, ela também causa inflamação neste órgão, podendo trazer desconfortos gastrointestinais e flatulências. Pra finalizar, alguns estudos mostram que a lectina pode levar algo a leptina que é um hormônio fundamental para que o cérebro entenda a saciedade. Sendo assim, quanto mais resistente à leptina um organismo está, mais comida será necessário ingerir para que se sinta saciado. Em pessoas que naturalmente já têm mais apetite, a resistência à leptina pode atrapalhar o controle natural do peso.

Fitatos

Os ácidos fíticos, também conhecido como fitatos, são os antinutrientes que “trabalham” tornando minerais importantes presentes nos alimentos “bioindiponíveis”, ou seja, impedindo que o nosso corpo os absorva.
Ele está presente em boas quantidades em: grãos integrais (aveia, trigo, centeio, cevada) e leguminosas (amendoim, soja, feijão). 
Os ácidos fíticos se ligam a minerais como ferro, magnésio, zinco e cálcio, e impedem que o predador consiga fazer boa absorção destes nutrientes, diminuindo o valor biológico dos alimentos que o possuem.

Se você possui desconfortos citados, procure um nutricionista para avaliar e tratar.

fernanda_godoy@terra.com.br
@nutrifernandagodoyfarto