Tacchini acende alerta de sobrecarga para próximas semanas

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Uma das características que fazem do novo coronavírus uma ameaça tão grande aos sistemas de saúde do mundo inteiro é a facilidade e velocidade com que a doença se espalha. Exemplo disso foi o aumento de casos de Covid-19 no Tacchini na última semana, que fizeram com que o hospital operasse no seu limite de atendimento. 

 

O aumento do número de casos no hospital é facilmente demonstrado pela alta no número registrados na estrutura Fast Track, responsável pela triagem de pacientes com sintomas respiratórios. Entre outubro e dezembro, a média diária de atendimentos subiu 193%.  

 

De acordo com a diretora de divisão hospitalar do Tacchini Sistema de Saúde, dra. Roberta Pozza, a análise da curva de contágio de países europeus sugeria um aumento de casos no Brasil a partir do dia 15 de dezembro. O mesmo estudo apontava a possibilidades do contágio ganhar velocidade e atingir seu pico nos primeiros dias de janeiro. Contudo, o aumento de atendimentos chegou antes do esperado, o que traz ainda mais preocupação para as próximas semanas.  

 

“Se formos olhar curva de países como Itália, a segunda onda teve o dobro de pessoas contaminadas. E apesar de a proporção entre a quantidade contaminados e de internados ser menor do que na primeira onda, ainda há uma relação entre os dados Os números nos sugerem que, se o volume de infectados continuar aumentando, chegaremos ao pior dos cenários. Vamos precisar escolher a quem prestar atendimento”, lamenta. 

 

O alerta é ainda maior com a chegada das festas de final de ano. Ainda de acordo com a dra. Roberta, o intervalo entre os feriados de Natal e Ano Novo pode ser determinante para aumentar o número de contaminados. 

 

“Temos um potencial de infecção gigantesco. Se considerarmos que o ciclo de manifestação da doença é de 7 a 10 dias. Nós vamos ter um primeiro ciclo no Natal e quanto ele estiver terminando, teremos o Réveillon. Nesse período, as pessoas podem estar assintomáticas, mas ainda assim serem vetores de contaminação”, descreve.  

 

Limite operacional

 

A partir da análise do crescente número de internações, o hospital reduziu as cirurgias eletivas a partir do dia 14. A medida é considerada fundamental não apenas para aumentar o número de leitos na UTI Adulto, mas sobretudo para a realocação dos profissionais que até então atuavam no Bloco Cirúrgico para a área que mais demanda trabalho no momento: o atendimento aos pacientes com Covid-19. 

 

A estratégia de reorganizar as equipes de trabalho permitiu que até agora o hospital atendesse a todos que necessitaram dos seus serviços. Para o superintendente do Tacchini Sistema de Saúde, Hilton Mancio, o trabalho do Comitê de Crise, montado em fevereiro deste ano justamente para agilizar essas adequações das operações internas com agilidade. Contudo, ele alerta que os recursos do hospital para lidar com a pandemia tem um limite.

 

“É como se estivéssemos em um jogo de xadrez contra o vírus e nossa capacidade de atendimento fosse o rei. Movimentamos a defesa conforme o lado que o Covid-19 ataca, mas já não nos restam muitos escudos. Estamos próximos de deixar nossa principal peça exposta. Se não houver o cuidado necessário, é possível que em janeiro tenhamos uma catástrofe”, avalia. 

 

Alerta máximo

 

Nesta sexta-feira, dia 18, o hospital apresentou um pequeno aumento no número de vagas em sua UTI Adulto que serão ocupados antes do final do dia. Mas ele alerta que a situação é muito preocupante, uma vez que a quantidade de pessoas disponíveis para realizar o atendimento é tão importante quanto a estrutura disponível. 

 

“Para combater essa pandemia, estamos ancorados em três pilares fundamentais: estrutura, tecnologia e pessoal. Se um desses pontos chegar ao limite, os outros dois automaticamente perdem a sua utilidade. Ou seja: se não tivermos as pessoas para realizar o atendimento, de nada adianta termos ventiladores pulmonares ou leitos sobrando, por exemplo”, finaliza.

 

FOTO: Alexandre Brusa/Tacchini