Um Novo Olhar | Tornar-se humilde!

Vida

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A humildade é uma virtude destacada pela consciência das próprias limitações. Hoje, resolvi escrever como a humildade vem me tornando uma pessoa cada dia mais resiliente.

Ao me tornar humilde, percebi quantos erros cometi, alguns inconscientemente, outros por imaturidade e muitos por arrogância. No terceiro caso, naquela postura de tentar provar ao mundo o quanto eu tinha de razão ou sabedoria sobre determinado assunto, ou ainda buscando um carimbo de aprovada, como se a vida fosse um jogo onde quem acerta mais ganha.

Quanta tolice e imaturidade. Em muitos momentos, me vi julgando meus pais, questionando suas decisões e seus posicionamentos. Com meu pai, eu tinha perrengues” por motivos distintos, desde assuntos banais a outros mais relevantes. E eu, com toda minha arrogância, acreditava que era capaz de fazer muito melhor. Já com minha mãe, minhas desavenças aconteceram muito na fase da adolescência, quando eu buscava atenção justamente fazendo tudo para contrariá-la e, claramente, achando que já era adulta o suficiente para dar conta dos meus assuntos. Com meus irmãos, passei um longo período saindo do lugar da terceira filha para tentar assumir um posto maior. Claramente, foi um fardo desnecessário para carregar e que ainda me trouxe algumas indisposições familiares. Quanta imaturidade, quanto tempo perdido.

no âmbito profissional, sempre fui de baixar a cabeça e trabalhar, mas a petulância sempre esteve presente. Após minha formatura, tive apenas uma experiência como empregada de uma indústria. Eu tinha discussões calorosas com meu diretor quando não concordava com alguns posicionamentos e decisões. Sei que dei muito trabalho para ele, mas aprendi muito e sempre mantive o respeito, mesmo após sair de lá.

E quando saí, abri minha própria empresa, no auge dos meus 26 anos. Acredito que minha petulância e minha arrogância me ajudaram a dar este passo, bem com, o apoio dos meus pais. E lá fui eu, com nem dois anos de formada, vender meus serviços, aprender a ser empreendedora, coisas que a engenharia nem passou perto. Sem dúvida minha personalidade incansável me levou a esta carreira que prevalece até hoje.

Nos meus relacionamentos amorosos não foi diferente. Segui na petulância, querendo mudar muitas pessoas, impondo minhas formas de pensar e sendo um general para tomada de decisão, que é o que eu realmente sou boa. Só que quando a decisão saia errada, eu não era capaz de reconhecer. Na chegada da maternidade, a minha cobrança de perfeição aumentou. Eu tinha que conseguir trabalhar, dar conta da casa, das crianças e do marido, na época. Adivinhem? Muita turbulência!

E foi assim, que a vida começou a ficar pesada, difícil. Carregar pedras morro acima todos os dias, dando conta de todos os recados, de todas as situações. E, na realidade, muito do que era para ser leve e compartilhado eu deixava passar batido. Me preocupava em provar que eu dava conta de tudo, mas o essencial passava despercebido. Se eu soubesse que a humildade me traria para um mundo mais leve, sadio e feliz, eu tinha baixado a crista muito tempo.

Como é bom saber que eu não dou conta de tudo, que muitas pessoas são muito melhores do que eu em diferentes assuntos, que eu posso errar e o mundo vai continuar girando. E, principalmente, que o dia a dia compartilhado com meus filhos e amig@s é muito mais gostoso. Que trabalhar com uma equipe é muito melhor que sozinha. Que jogar com meus filhos é muito mais divertido do que eu, cansada, exausta, imaginava ser. Que ficar sem fazer nada, absolutamente nada, é tão importante quanto produzir conteúdo, revisar documentos, produzir vídeos e estudar com os filhos.

E sabe como essa leveza entrou na minha vida? Através da humildade. Aceitando que sou pequena diante de meus pais, que meus irmãos são meus antecessores, que meus filhos não precisam de uma mãe perfeita e, sim, de uma presente, disposta a pagar o preço do desagrado deles. A consciência das minhas limitações abriu espaço para novos aprendizados, para novos relacionamentos e, principalmente, para o meu amor próprio. Aquele de me amar exatamente como eu sou. Meu corpo, minhas manias, meus valores, minhas conquistas e derrotas.

Torne-se humilde e você perceberá o quanto pode receber dos outros e o quanto pode dar, praticando a lei do equilíbrio. Dar apenas o que se tem, naquele momento, com aquela maturidade, e tomar apenas aquilo que se necessita. Termino o texto com esta frase, pois hoje é exatamente como me sinto, em paz.

Só existe paz, onde existe humildade.” Bert Hellinger