Tratamento não-invasivo diminui necessidade de intubações no Tacchini

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Desde setembro de 2020, os pacientes internados na UTI Adulto do Hospital Tacchini que apresentaram diagnóstico positivo para Covid-19 recebem o tratamento com um novo equipamento: o cateter nasal de alto fluxo. A tecnologia, relativamente nova no Brasil, ajudou a evitar a intubação de 75 dos 148 pacientes em que foi utilizada até o momento.

 

O equipamento permite o aumento do fluxo de oxigênio enviado aos pulmões (até 60 litros por minuto), além de garantir também o controle da umidade, da temperatura (de 32°C a 36°C) e da concentração de oxigênio (que pode chegar a 100% - quase 5 vezes maior do que uma pessoa que respira sem o auxílio de aparelhos, ou seja, o ar ambiente normal).

 

O cateter nasal de alto fluxo também atua na ocupação de todo o sistema respiratório com oxigênio, aumentando sua concentração nas vias aéreas. Dessa forma, o equipamento permite que o paciente otimize a troca gasosa entre o pulmão e o sistema circulatório, mantendo os níveis de oxigenação do sangue adequados, encurtando o tempo de recuperação.

 

Como funciona o tratamento

 

Todos os pacientes que chegam à UTI Adulto do Hospital Tacchini com quadro de insuficiência respiratória aguda grave recebem o tratamento com o cateter nasal de alto fluxo, exceto em casos muito avançados, quando há risco iminente de parada cardiorespiratória. Nas primeiras 12 horas de uso do equipamento, a equipe de fisioterapia monitora continuamente o paciente e realiza 4 avaliações específicas do caso. O resultado dessas análises vai determinar se a terapia está sendo eficaz ou se outros procedimentos devem ser adotados.

 

Até o momento, 50,6% dos casos foram bem-sucedidos. O tratamento é considerado de sucesso quando o paciente melhora sua condição clínica e recebe alta da UTI sem necessidade de intubação. Além disso, a média de tempo de internação de pacientes que utilizam cateter nasal de alto fluxo tem sido, em média, 3 vezes menor em comparação aos casos com necessidade de intubação.

 

“Cada organismo reage de formas diferentes à doença, por isso em alguns pacientes o tratamento pode não ter a efetividade esperada. Contudo, se pudermos evitar a intubação de um paciente, todo o esforço valeu a pena. O cateter nasal de alto fluxo influencia diretamente na diminuição do risco de mortalidade, no tempo de internação e ainda permite que o paciente receba alta em condições funcionais melhores se comparado aos casos com necessidade de intubação”, descreve o coordenador da Fisioterapia Hospitalar do Hospital Tacchini, Fabiano Francio.

 

Como o equipamento é considerado não-invasivo, o paciente permanece consciente e ativo durante todo o tratamento. Dessa forma, é possível potencializar também a efetividade dos demais tratamentos fisioterápicos de rotina, além de simplificar o processo de desmame.

 

Diferença desde o começo

 

Cláudio Gehlen, 65 anos, é um dos 75 pacientes em que o tratamento utilizando o cateter nasal de alto fluxo obteve sucesso. Já em casa, ele lembra que foram cerca de 7 dias conectados ao equipamento que foi fundamental para sua recuperação.

 

“Consegui sentir a diferença logo no início do tratamento. Eu permaneci ativo durante todo o tempo. Conseguia conversar da mesma forma que estou falando agora. É uma situação muito diferente que passamos com meu filho, que precisou ser intubado. Mas graças a Deus conseguimos nos recuperar e estamos bem”, descreve.